Rescaldo de Monchique.

Marcelo Martins através de Youtube

Todos os anos, todos os Verões, vemos a repetição dos mesmos cenários, já começa a ser normal – a época dos incêndios em Portugal, alguém o referiu e eu subscrevo. Será normal, um país ter uma época de incêndios, questiono? Sim porque tem sido tão observável a forma como eles têm vindo a disparar nestes últimos anos que já não consegue passar despercebido.

Aquecimento global tem sido um desastre, é verdade, elevadas temperaturas, outro desastre, poluição, sim muita… Agora, quando se trata de questões criminosas, como o caso de fogo posto, o que fazer nesta situação?

Aprofundaremos a questão um pouco mais. No caso de fogo posto, os focos de incêndio, por vezes surgem em locais de difícil acesso (claro está, estava lá um vidro, no topo da montanha que disputou o fogo. Sim é possível…), ou, quando três focos de fogo acontecem em locais distintos com diferenças de minutos e vão lavrando terreno até se juntarem? Questiono-me de tanta coisa.

Questiono-me mais, dos “possíveis incendiários” que são apanhados, depois de de condenados o que lhes sucede, ora, prisões domiciliárias, penas suspensas, reincidentes com penas suspensas, 2 anos de cadeia, 3 anos… ah esperem, houve um que apanhou 14, esse não deveria estar nos estatutos, creio.

Novamente, levanto uma questão, sim, porque penso, e ao pensar levanto uma data de questões. Desde quando, que um incendiário, que mata pessoas, que mata o património do seu país, que coloca em risco a vida de tanta gente, que faz as pessoas perderem tudo o que lutaram na vida, vem para casa descansado da vida? Com uma pulseira, com pena suspensa? Eu devo ser muito ingénua, mas, não andará alguma coisa nos bastidores? 

Matou, destruiu, acabou, roubou, tirou e vem para casa. Hm… parece-me uma excelente forma de aplicar justiça no nosso país. Sigam o exemplo. Falo de justiça, sim.

Depois do incêndio de Monchique, que lavrou o país durante uma semana, e destruiu 26.957 hectares de terra, felizmente sem vítimas mortais, pôs, Portugal, nas piores razões de ranking com maiores incêndios verificados na Europa até à data, este ano, a par com a Grécia.

Meus caros leitores, sabem o que me questiono? Questiono-me o que se anda a fazer ao nosso país. Se acredito que isto é tudo obra do acaso, em parte sim, em parte não. Houve em tempos quem apresentasse medidas para ser tomadas, foram ouvidas? Houve interesse? Interesse, sim se calhar houve, mas não nas medidas, houveram outros interesses.  Aconselho, vivamente o leitor a ler Para Lá do Petróleo Verde — Raquel Varela

Sabem o que me aborrece um pouco, caros leitores? A forma heróica com que o nosso primeiro-ministro aparece nas nossas televisões, chega ao local, é recebido com salva de palmas, cheio de sorrisos, todo feliz, quando… nós não passamos por uma tragédia? Estamos a festejar o quê? O terminar do fogo? Não deveria ser um momento de luto?

Logo após o apagar do incêndio, a minha mente, de pessoa considerada normal para a sociedade pensa, na recordação da magnifica serra. Questiono-me sobre a finalidade desta destruição se foi ingenuidade, interesse, desinteresse ou produto do acaso. Pergunto-me ainda, quantos anos mais isto se tornará a repetir? Será que temos consciência de tudo o que perdemos com um incêndio? Vidas, dignidade, património, algumas espécies tão características de determinados locais.

Se se tem noção de contra o que se luta? Forças naturais? E haja garra nestes lutadores, que todos os anos, estão lá, quase sem dormir, a ajudar a população, a salvar.

Mas, e, as outras lutas, contra que lutamos? Ou, lutamos?

Vamos tendo a esperança, que teorias não passem de teorias, e que a humanidade não esteja a ser tão desumana (como já é observável em todos os dias no quotidiano). Tentar ajudar, no máximo possível e esperar que situações como estas não se voltem a repetir.

Mas não, o nosso primeiro ministro, muito bem, com sua atitude optimista, porque este senhor é um optimista por natureza, sem critica porque acho uma excelente postura na vida, chega ao local e só diz “Vamos reconstruir, vamos fazer e acontecer, vamos reflorestar, vamos plantar!”. Pergunto eu, para daqui a três anos ser consumido outra vez? E medidas para que isto não aconteça? Quantas ideias devem andar fechadas em gavetas? Refiro desde já, que as minhas questões não se referem a política, não sou eu que digiro o país, mas no que toca à prevenção, levanto essas questões.

Nem levanto outras questões que se encontram em redor de questões e mais questões. Porque sempre que levantamos uma questão, questionamo-nos outra vez.. Até mesmo com as resoluções.

Peço desculpa o desabafo, meus caros leitores, mas todos os anos vejo repetições de sinais, vejo explorações do nosso país de uma ou de outra forma e poucas averiguações. Pouco levantamento de questões. Não aponto dedos, mas, as atitudes são estranhas e essas, fazem-me levantar questões!

Não me cabe julgar, apenas pensar.

Ainda, apesar de aparecer no final deste post, tenho que tirar o chapéu, aos nossos bombeiros, que uma vez mais, batalharam, como sempre o vazem – dormem no chão, não descansam, salvam a população, arriscam as vidas, quase sem meios nenhuns, ajudam, pessoas, seres humanos, que nesta altura arriscam tudo, tudo pelos outros – estes são os nossos heróis, mas não, no final do Verão, fizeram o trabalho deles, não é? Depois destes infernos dantescos, pergunto eu? Isto e o trabalho desta gente normal? Daí, eu os elevar a heróis, pois o são.

  

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