Irina Marques, Arts & Thoughts

A Torre dos Clérigos

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Hoje, muitos vão-me chamar de mentirosa, porquê? Bem, porque no último post dos meus textos desta categoria, mencionei que não iria falar de monumentos (pelo menos tão cedo…), que quando tivesse que falar neles, seria de forma diferente Apresentação D’Alma e Coração. Acho que vamos começar por um monumento, porquê? Para quem me segue, sabe que à pouco tempo pintei a Torre dos Clérigos, em aguarela (1) e então, nada melhor que um pouco de contexto.

Eu avisei que não vou apresentar monumentos de forma muito convencional, pintei, achei por bem falar para aqueles que não conhecem. Para os que conhecem, espero acrescentar algo novo, senão, é sempre bom recordar um pouco da história. Prometo, que vou tentar não ser “chata”.    

Confesso que, este não ia ser o meu primeiro artigo, mas como a vida nem sempre corre como queremos, temos que improvisar, foi o que aconteceu aqui. No fundo, até calhou bem, aliar uma actividade pela qual nutro uma paixão (pintura) a outra pela qual nutro outra paixão (escrita sobre a cidade).

Torre dos Clérigos, 1763, Nicolau Nasoni 

Foi o arquitecto italiano, Nicolau Nasoni (2), o responsável pelo desenho e arquitectura da igreja e Torre dos Clérigos, entre 1732 e 1763 encomendada pela Irmandade dos Clérigos. Esta torre é um dos ex libris da cidade, é uma das torres mais altas e pode ser identificada em variadíssimos locais. Ao contrário do que muitos possam imaginar, a torre encontra-se nas traseiras da igreja e possui uma intensa decoração barroca influenciada pelo estilo que se praticava em Roma.

Esta torre, de 76 metros, é uma estrutura grandiosa de seis pisos que para além de servir de torre sineira teve outros usos ao longo dos tempos – devido à sua altitude foi utilizada como um marco de orientação de embarcações que rumavam no rio Douro; quando chegava o paquete (3), hasteavam uma bandeira para dar sinal aos comerciantes, da sua aproximação. Juntamente com outros monumentos, conquistaram o estatuto de símbolos representativos da cidade.   

Escadaria da Torre

A primeira vez que lá fui, tive que me preparar psicologicamente, queria muito subir mas toda a gente dizia “vais subir aquilo tudo? Olha que aquilo cansa imenso!”. Sim, é verdade, é um pouco intimidativo estar cá em baixo e olhar lá para cima, e ainda para mais se pensarmos “ora bem, há quanto tempo é que eu não subo tantas escada mesmo?!”.

São 225 degraus de fortalecimento de glúteos, coxas e gémeos e na descida, os mesmos 225 degraus de quadríceps, de tibial anterior e músculos adutores. É tudo bem positivo, só queimar calorias! Treina-se a respiração, e vamos observando as vistas.  

Claro que a determinada altura, se não houver preparação física quase nenhuma, que era o caso na altura (andava muito sedentária), fiquei com a sensação que a determinada altura me ia “sair um pulmão”, mas não faz mal porque olhei para o lado e vi que estava quase a atingir o meu objectivo. 

Vista da Torre para a Igreja dos Clérigos.

Após este caminho, sempre a subir, esta escalada quase que em caracol para subir ao topo da tão famosa Torre – Heis! 

Estão a ver aquele momento em que precisam de respirar e vêem algo que vos tira a respiração?
Eu só vos posso dizer é que a vista supera as fotos.

Tenho um certo medo de alturas, mas nestas coisas, deixamos o medo à parte e desfrutamos da vista. E, nem vos digo o que precisei fazer para não aparecer a balaustrada! Foi simplesmente assustador, mas valeu a pena! 

Eu já não subo à Torre desde 2014. Vou deixar alguns conselhos, porque já ouvi várias criticas e elogios de amigos e conhecidos e, antes das visitas, convêm estarem preparados para onde vão e ter percepção das realidades, a partir daí tomam a decisão se querem realmente visitar ou não.

Bem, não irei alargar muito mais o tema, porque aposto que muitos já me abandonaram e nem leram o post até aqui. Deixo apenas mais uma informação, o site onde têm os horários, os preços e onde podem comprar os bilhetes online.

http://www.torredosclerigos.pt/pt/

Rua de S. Filipe de Nery, 4050-546

GPS: 41º08’44.49 N 8º36’52.99 W

Até uma próxima visita, só vos ponho a fazer exercícios!

Irina Marques


(1) Aquarela

(2) Nicolau Nasoni foi um grande arquitecto do barroco no Porto responsável por muitas obras. Já vós havia referido no nosso passeio pelas ruas do Porto, no chafariz do Anjo.

(3) Nome dado aos antigos navios de luxo movidos a vapor, eram navios de carga e passageiro ao mesmo tempo.

(4) Coisa pouca para quem já subiu… 463 numas outras andanças + 414 no mesmo dia = 877 (Florença, que não é para aqui chamada)

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