Muitos que são do Porto, já se esqueceram e, os que vêm de fora, são os que a encontram, porquê? Não sei. O que vos posso dizer é que nunca tinha lá entrado. Não aparece nos ditos “roteiros turísticos” e questiono-me porquê?
O que vos vou dar a conhecer é um espaço centenário, cheio da melhor arte que se fazia no tempo e com tão pouca divulgação!
E pergunto eu “Como é possível? Eu comi ali a melhor bola de Berlim da minha vida!”
Agora, a questão curiosa, como é que eu dei com esta pastelaria? Que se situa MESMO ao lado da estação de S. Bento. Sim, porque reparem, estas coisas são interessantes porque tem a ver como a mente das pessoas e como às vezes funciona – não está dentro da estação (que é rápido), não está em frente da estação (por onde sai toda a gente) e, não está no lado direito, parte de onde se movimenta toda a vida da cidade.
A Pastelaria está, na outra rua, uma que ainda demonstra como era o Porto à uns anos atrás, onde a parte residencial ainda coexiste com a do comércio tradicional no Porto, algo que, tem deixado a cidade, que a meu ver tem sido uma pena porque tem descaracterizado, mas isso são outras questões.
Saída pela porta esquerda da estação de S. Bento vão dar à Rua do Loureiro – é ali.
Voltando ao assunto, como dei com a Pastelaria? Só podia ser no palavra-passa-palavra, uma amiga minha referenciou-me. Eu, “Ser Existencial” que não nasci no Porto, vivo cá há uns anos, portanto, há locais que conheço bem e locais que “descubro” e, este, foi um deles – e ainda bem. Significa que foram anos que me poupei ao colesterol daquelas fantásticas bolas de Berlim, mas… que agora isso vai mudar… pois…
Eu até nem gosto de doces, mas há alguns, que confesso que me custa dizer que não, bolas de Berlim e pasteis de nata constam nessa ementa. Adiante…
Um dia fui conhecer a sua maravilhosa história, o seu encantador passado, como é possível os edifícios carregarem tantas histórias, ah? Fui agradavelmente atendida pela proprietária, a Sra D. Mónica Oliveira que me pôs a par da história do estabelecimento e me contou factos bastante interessantes sobre o mesmo. Foi seu pai que tomou posse desta casa em 1953.
O presente e passado convivem de mãos dadas neste estabelecimento.
Deixo aqui referencia a um blogue que nos descreve mais detalhadamente a história deste estabelecimento – desde seu nascimento, transformações e como chegou até aos dias de hoje – confesso a, quem estiver interessado, vai aprender muito sobre este espaço: garfadasonline.blogspot.com
Obra de Acácio Lino de Magalhães, 1912 – Tecto da Pastelaria (1)
Ah! E quem seu eu sem imaginar o passado? Imaginar quantas pessoas já ali estiveram, que frequentaram este estabelecimento, à espera de comboios, a ler o jornal, à espera que o tempo passe. Ou então simplesmente, como hoje em dia, vir rápido tomar um café e ir embora, são tantas histórias. Estes espaços, fazem reviver tempos passados, há sempre histórias para contar, descobertas (eu deliro com isto!)
Sim, sou muito sentimentalista, quando me contam histórias de acontecimentos passados sou sempre aquela pessoa na primeira fila com os olhos muito arregalados e passo ali horas, dias…
Este estabelecimento já serviu muitos propósitos, ourivesaria, loja de fazendas, restaurante e por fim confeitaria – foram feitas inúmeras alterações no local, apenas ficou preservado o espaço da ourivesaria que operava a nível do primeiro andar.
Agora vamos falar de coisas engraçadas novamente, sou uma pessoa que me encontro ligada às artes e querem saber a melhor? Nunca, durante o tempo dos meus estudos, ouvi que estes artistas tinham aqui obras. Nem nos livros aparecem divulgadas.
Outro facto interessante é esta Confeitaria/Pastelaria ter as maiores bolas de Berlim que jamais vi na minha vida. Pois é… mas já tinha falado nisso não já?
Eu gosto de encontrar este cantinhos, que no fundo não é um encontro, é simplesmente um relembrar que este espaço está ali. Numa sociedade de massas em que todos se movem de acordo com tendências eu gosto de recordar que existem alguns locais não tão divulgados que são igualmente belos, que provavelmente irão encontrar a simpatia tradicional portuense, a história e sabores impecáveis – encontrar a individualidade.
Aconselho vivamente, a ir até lá e, terem a experiência de viajar no tempo.
Localização:
Rua do Loureiro 52, 4000-327 Porto
Gps 41º08’42.3″N 8º36’36.6″W.
Irina Marques